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segunda-feira, 2 de julho de 2012

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Lembro, como se fosse ontem, daquele apartamento no edifício América Central onde morei nos anos 90. Lá foi meu primeiro lar. O lar da minha infância. Acordava de manhã, deitado em um colchão no quarto de meus pais devido a um certo receio de dormir sozinho. Coisa de criança com seus medos e angústias. Não acordava tão cedo, pois estudava à tarde, entretanto, acordar tão tarde era um desperdício inevitável de uma manhã inteira destinada a brincadeiras e diversão. Depois de levantar, recordo que eu tinha uma certa resistência para tomar café da manhã. Não existe guardado em minha memória aquele ato matinal de passar manteiga no pão. A única coisa que me lembro era que meu pai comprava um suplemento chamado Sustagem, pra suprir os meus precários desjejuns matinais. Tinha sabor chocolate e de certa forma saboroso, entretanto eu torcia o nariz para beber isso.

Por volta das 9:00, interfonava pros apartamentos de dois camaradas do prédio (Túlio e Otávio) pra decidir o que faríamos no dia. Nossos planejamentos diários giravam em torno destes afazeres: brincar de Lego ou Playmobil; jogar Street Fighter, FIFA 98 ou Super Mario; tomar banho de piscina, jogar futsal, andar de bike, etc. Havia outras opções de entretenimento, mas eram tão abstratas que não dão pra descrevê-las. Só sendo criança de novo pra tentar colocá-las nessa lista.

Às 13:30 começava minha aula na Escola Dinâmica. Não aprofundarei muito nesse tema. Um dia quem sabe eu fale um pouco mais, mas não hoje. Às cinco e meia da tarde voltava da escola. Chegava em casa e, como em um ritual, jogava a mochila no chão e saía correndo para assistir Disney Cruj no SBT. E terminava assim o dia. Acabava o programa. Desligava a TV. Tentava jantar, pois eu era chato pra comer. E, no fim de tudo, deitava na cama de meus pais.  Depois rolava até o colchão. Pegava no sono e viajava no sonho. 

É... Foram bons tempos que não voltam mais, mas que permanecem na prateleira de meu hipocampo. Pra matar a saudade é só visitar a biblioteca de minha memória, abrir os livros de minha história e viajar na leitura daquilo que vivi e sonhei.